sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

539 morrem na região serrana do RJ

Desde a manhã de quinta-feira (13), o movimento no Cemitério Municipal Carlinda Berlim, em Teresópolis, é grande, após a chuva que causou mais de 500 mortes na região serrana do Rio.

Os corpos chegam em carros de funerárias e caminhões que transportam vários caixões juntos. Além dos 23 empregados, dez voluntários trabalham para dar conta do alto número de enterros --apenas na quinta foram 93, enquanto a média normal é de 8 a 13 por mês.

O gerente de vendas Celso Mendes, 51, aguardava a chegada do corpo de Natasha Siqueira, 13, filha do amigo João Paulo Siqueira da Costa, dono de uma loja de construção.

Costa, a mulher e duas filhas --a mais nova de seis anos-- foram levados pela correnteza que invadiu a mansão de dois andares no bairro Campo Grande. A casa foi uma das poucas que ficou de pé na região.

Às 3h30 de quarta, ele ligou para o sócio para avisar que a água tinha invadido o segundo andar da casa. Foi orientado a subir no telhado. Após esse contato, o telefone perdeu o sinal. O corpo de Costa e da mulher foram enterrados na quinta. A filha de 6 anos ainda não foi localizada.

O corpo de Mara Lúcia Brandão Braz, 38, também foi enterro nesta sexta. Ela é mulher do bombeiro Isaac Brandão, 42, cujo corpo foi enterrado na quinta. Toda a família --o casal e dois filhos-- morreram na tragédia.

A aposentada Judite Mendes, 87, também foi enterrada no local. Ela e o marido de 96 moravam na casa da filha em Barra do Imbuí. O cômodo em que ela dormia sozinha foi soterrado pela queda de uma barreira. Idenildo Machado dos Santos, 70, genro de Mendes, diz que para encontrar o corpo, localizado na quinta-feira, foi preciso retirar terra que daria para lotar dez caminhões.

MORTOS

Chega a 539 o número de mortes na região serrana desde a chuva da última terça (11). As mortes são registradas em Nova Friburgo (246), Teresópolis (229), Petrópolis (41), Sumidouro (19) e São José do Vale do Rio Preto (4). Há pessoas desalojadas --foram para casa de amigos e familiares-- e desabrigadas --ou seja dependem de abrigos públicos.

O governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), afirmou hoje que haverá o momento de se fazer "autocrítica" e "avaliação" sobre a tragédia na região serrana. Mas, para ele, este não é o momento.

"A hora é de arregaçar as mangas e ajudar a essas famílias. É máquina, bombeiros trabalhando. Sempre tem a hora de fazer avaliação. Tem que se fazer uma autocrítica, por que se permitiu fazer tudo isso. Mas agora é resgatar corpos e ajudar famílias desabrigadas. Não vamos perder tempo nesse momento", disse o governador, em visita ao bairro Caleme, em Teresópolis, um dos mais atingidos por deslizamentos e cheias de rios.

4 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  2. Quando ocorrem desastres notórios tais como esses, é comum as pessoas se perguntarem sobre quem é o responsável por esse tipo de problema. Muitos se apressam em atacar os políticos; outros, quer por ignorância, quer por descrença ou desespero, culpam a Deus por tais problemas. A verdade é que a resposta não pode ser uma só;antes, vários fatores contribuem para que o surgimento de catástrofes acabe afetando adversamente um número razoável de pessoas e animais.

    É interessante que as enchentes não são novidade alguma - principalmente na cidade de São Paulo. Desde tempos antigos, a humanidade tem enfrentado a fúria das águas que assolam cidades inteiras. Para citar apenas um exemplo, o Egito Antigo, um país hidrograficamente parecido com o nosso - sofria com as cheias de seu rio principal e suas ramificações: o Nilo. Há relatos de povos que, devido à sua experiência quanto às épocas em que seus rios costumeiramente transbordavam, criavam abrigos temporários em locais distantes das enchentes, como se fosse uma segunda casa, até que tudo aquilo passasse e eles então voltavam ao seu lar (ou ao que havia sobrado). O detalhe é que eles não tinham tecnologia de ponta para prever enchentes inesperadas e também é verdade que muitas perdiam suas vidas em tais ocasiões. Neste sentido, certamente tem havido pouco empenho de universidades e do governo em criar sistemas de alerta geral à população.

    É verdade também que as leis ou são inexistentes ou simplesmente não são cumpridas - uma deficiência do poder executivo. Contudo, em muitos casos é um absurdo culpar o governo por isso ao passo que muitos se estabelecem em local de alto risco de desabamento. A maioria das pessoas pode contar com o bom senso. Afinal, será que sempre precisamos de alguém que nos diga para olhar para os lados antes de atravessar a rua? Realmente, as crianças precisam.

    Um mapeamento de áreas de risco é preciso. Investimentos maciços em melhorar o escoamento das águas, a canalização de córregos, o assoreamento de rios, etc, também se fazem necessários. Enfim, não há valor que pague a vida, ou melhor, vidas. Como diz a Bíblia: "Não é do homem que anda o dirigir o seu passo."

    E você, o que acha sobre esse problema tão preocupante?

    ResponderExcluir
  3. Concordo com o "proprietário" (êta nomezinho!), além do que já foi comentado, há ainda outro fator agravante: a ocupação desordenada do espaço devido a rápida explosão demográfica juntamente com a carência de conjuntos habitacionais em áreas seguras e falta de fiscalização que impeça a ocupação destas áreas. Também vou citar a Bíblia, quando Jesus disse que a atitude mais sábia é construir a casa com o alicerce na rocha, não foi apenas em sentido ilustrativo, mas também prático. Que segurança há de se construir uma casa sobre um terreno que com algumas horas de chuva desaba? Ou construir no sopé de um morro, cuja superfície pode se tornar barro puro? Muitos lamentavelmente colheram os frutos de sua imprudência.

    ResponderExcluir
  4. Bom, difícil comentar um acontecimento desses...É triste, lamentável. Não condeno quem invade terrenos para morar ou mora onde dá. Não dá para sentar na cadeira de juiz de Jeová. Muitas pessoas que não moravam em local de risco também morreram. A natureza está brigando com o Homem. Está dizendo um "basta!" para os danos que está sofrendo. O Homem está colhendo o que ele próprio plantou e, infelizmente, inocentes estão pagando por isso. Como diz Revelação (Apocalipse)11:18, Jeová "arruinará os que arruínam a Terra". Queira Ele que os mortos por essa tragédia tenham alguma esperança. Queira Ele que as crianças que morreram nessa tragédia possam viver num mundo em que esse tipo de notícia será passado e que a única cheia seja a vida, de satisfação!

    ResponderExcluir

Não deixe de participar! Deixe aqui seu opinião!!